Ano: 2010
Valor facial: 5 €uros
Diâmetro: 30 mm
Metal: Cuproníquel
Qualidade: Normal
Peso: 14gr.
Tiragem: 150000 pçs
Como forma de promover a numismática portuguesa e os valores históricos,
culturais e civilizacionais de Portugal, tanto no plano nacional como
internacional, a INCM tem vindo a cunhar uma série de moedas integrantes
da colecção denominada «Tesouros numismáticos portugueses». Esta
colecção é composta por cinco moedas alusivas a alguns dos exemplares
mais relevantes da numismática e da história portuguesas — quer pelo seu
significado, quer pela sua raridade, das quais é parte integrante o
Justo de D. João II.
Filho de D. Afonso V, subiu ao trono em 1481,
sendo certo que exercia já há alguns anos o poder de facto. Com efeito,
as frequentes ausências do reino, por parte de D. Afonso V, põem-lhe nas
mãos o governo do país.
Desde 1474 que dirigia a política
atlântica, devendo-se à sua visão de governante, apesar de não ter ainda
vinte anos, a instituição do mare clausum, princípio que estabelecia
que o domínio dos mares estava ligado ao seu descobrimento. Na linha
dessa política surge o tratado de Toledo de 1480, em que D. João II
aceitando a partilha das terras do Atlântico pelo paralelo das Canárias,
afasta a concorrência da Espanha em África e protege a mais tarde
chamada rota do Cabo. Durante o seu reinado toda a costa ocidental da
África foi navegada, dobrou-se o Cabo da Boa Esperança e preparou-se por
terra com as viagens de Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva, a viagem de
Vasco da Gama à índia, a que o monarca já não assistiria. Em 1494,
assina-se o tratado de Tordesilhas, dividindo-se a terra em duas zonas
de influência, a atribuir a Portugal e à Espanha. Dentro da zona de
influência portuguesa ficava o Brasil, o que permite supor que o monarca
tinha conhecimento da existência dessas terras.
No plano
interno, a acção de João II orientou-se no sentido da centralização e
fortalecimento do poder real, tendo reprimido duramente as conjuras dos
nobres e abatido o poder das grandes casas do reino. De 1481 a 1485, são
mortos ou presos D. Fernando, duque de Bragança, D. Diogo, duque de
Viseu, D. Gutierres Coutinho, D. Pedro de Ataíde, Isaac Abravanel, D.
Afonso, conde de Faro, D. Fernão da Silveira, Diogo Lourenço, Afonso
Vaz, D. Álvaro, filho do duque de Bragança, Aires Pinto, bacharel João
Afonso e José Abravanel. Tinha em grande conta a opinião dos povos, mas o
seu conceito da autoridade real leva-o a só reunir cortes quatro vezes,
durante o seu reinado. Quanto às relações externas, a sua actividade
foi no sentido de criar laços de concórdia com os vários reinos, talvez
com o intuito de se libertar de problemas que pusessem em dificuldades a
política de expansão ultramarina. Alimentou o sonho de uma futura
«monarquia ibérica», tendo conseguido contratar o casamento de seu filho
D. Afonso com a primogénita dos Reis Católicos. A morte do infante
veio, no entanto, deitar por terra estes planos. Manteve uma actividade
diplomática intensa com vários países europeus, sendo de destacar a
embaixada de Vasco de Lucena, enviada a Roma em 1485.
A última
fase do reinado de D. João II está marcada pelo problema da sucessão do
trono. Com a morte do infante D. Afonso, procura o rei habilitar ao
trono o bastardo D. Jorge. No seu testamento, todavia, nomeia seu
sucessor D. Manuel, irmão da rainha. Morre no Algarve em 1495, aceitando
alguns historiadores a hipótese de ter sido envenenado.